A água estava fria, muito fria. Ashley entrou e por alguns instante ficou na parte rasa, mas o mar a encantava, a atraia, ela não conseguiu ficar ali, então aos poucos foi nadando para a parte mais funda, e se afastando. Por um minuto Ashley, achou que pudesse descobrir os mistérios do mar, em apenas uma noite.
Ela chegou a uma parte bem funda, bem longe da areia da praia… E em pouco tempo, começou a sentir uma forte cãibra, em sua perna. Tentou voltar, mas não conseguia nadar…
Ela começou a engolir água e a afundar. Ela pensou que fosse morrer ali. Poderia ser por dois motivos: hipotermia ou afogamento. Ashley não pensava em mais nada, a não ser: “que haja um milagre”, para alguém passar pela praia, e conseguir vê-la. Todas as suas esperanças haviam se esgotado.
Ela agora estava vendo ela mesma em um jardim, repleto de flores coloridas, do jeito que ela gostava, em um dia ensolarado. Igual aos seus sonhos. Seria a visão do paraíso? Ou apenas sua imaginação? Ou ela estava delirando? Essas são perguntas, que jamais alguém conseguirá responder, pois isso nunca acontecera.
Ela estava morta? Ou apenas desacordada? Essa era apenas algumas perguntas, que o garoto que passava pela praia e que pulou na água para salva-la, estava se perguntado.
O garoto nadou o mais rápido que conseguiu, ao chegar nela, ela já havia afundado, ele mergulhou e quando voltou a tinha em seus braços…
O mar estava muito agitado, e o garoto não conseguia nadar direito, mas mesmo assim, ele não desistiu, pois sabia, que se a deixasse ali, ela poderia morrer, mas também sabia que teria que nadar o mais rápido possível, pois o mar não estava para brincadeira. Com muito esforço ele foi se aproximando da areia da praia…
Quando chegaram, o garoto a tomou em seus braços e a levou para uma parte segura, então a colocou na areia e fez respiração boca-a-boca, ele já foi salva-vidas, sabia o que estava fazendo…
Ele estava no lugar certo, e na hora certa, mas por que ele? Essa é uma pergunta fácil de responder, porque ele era o escolhido…
Aos poucos, ela foi acordando, quando abriu os olhos, sua visão estava muito embaçada e confusa, ela só conseguia ver a figura de um garoto, que estava ajoelhado ao seu lado e estava falando com ela, mas ela não conseguia entender. Ela tentou responder, mas só conseguia formular apenas uma frase:
─ Onde eu estou? Onde eu estou? ─ Ela ficava repetindo isso.
Como o garoto não respondeu nada, ela tentou levantar, mas ele a segurou.
─ Calma! – Disse o garoto.
─ Onde eu estou? Onde eu estou? – Ela voltou a repetir.
─ Você estava se afogando. Está tudo bem agora. Estamos na areia. – Ele respondeu.
As palavras estavam fáceis de entender. Agora ela já conseguia formular outras frases, e conseguia entender e pronuncia-las com clareza.
─ Estou com frio! – Disse Ashley
O garoto se levantou, foi até o lugar que havia deixado seu casaco, que havia tirado para entrar na água, o pegou, voltou, colocou sobre ela, e disse:
─ Qual é o seu nome?
─ Ash… – Ela estava com muito frio, as palavras saiam falhadas, mas ela respirou lentamente e Disse: ─ Ashley McCartiney.
_ Prazer em conhecê-la senhorita McCartiney. – Disse ele – Eu sou Willian Parker.
A visão de Ashley, não estava mais confusa. Ela conseguia vê-lo completamente, o rapaz aparentava ter no máximo 18 anos, ele era alto, tinha um tipo físico atlético, ele era bem musculoso, os anos jogando basquete, vôlei, futebol, esquiando, escalando, enfim, fizeram bastante efeito. Ele tinha cabelo castanho claro, com uma fina franja caída sobre os olhos azuis com o céu, Ashley de repente percebe que ele era o garoto que aparecia em seus sonhos, não fazia nenhum sentido…
De onde ele veio? Não havia ninguém na praia. É estranho o que aconteceu, mas ela gostou, afinal, ele a salvou.
Ele a ajudou a se levantar, ela não conseguia parar de olhá-lo, seu coração batia mais rápido e estava em sintonia com o dele, a mão dele tocando suavemente a dela, um olhava o outro. O amor estava no ar. Era um momento perfeito. Foram com certeza os segundos mais inesquecíveis de suas vidas e aquele foi o silêncio, que não necessitava de palavras para quebra-lo, mas, infelizmente, todo o silêncio, uma hora deve chegar ao fim, foi quando o Willian o quebrou:
─ O que faz aqui há essa hora?
─ Eu não queria estar aqui. – começou ela ─, mas ainda bem que estou.
─ Se não queria estar aqui, então por que…
─ É difícil explicar, meus pais me obrigaram a vir, e quer saber? Eu não me arrependo. ─Ela deixou escapar um leve sorriso, que ele amou, e então continuou a falar, ─ Estamos no hotel. A propósito, obrigada. –Ela completou
─ Eu não fiz nada de mais, eu apenas fiz “meu trabalho”. Eu às vezes sou salva- vidas, em um clube de campo. – Disse ele
─ E salvou a minha. Eu não sei como agradecer. Se tiver algo que eu possa fazer, para agradecê-lo, é só falar. ─ Disse Ashley.
─ Tem um jeito. Encontre-me amanhã, na frente do hotel. E eu não aceitarei um “não”, como resposta. – Disse Willian.
Willian e Ashley não paravam de se olhar. Foi amor à primeira vista. Não foi só paixão de adolescente, foi muito mais que isso. Era muito forte, o que um estava sentindo pelo outro. Nenhum dos dois, jamais sentiu isso por alguém, foi tudo um golpe do destino, como sempre.
─ Em que quarto do hotel você está? – perguntou Willian
─ No quarto: 305. Eu e os meus dois irmãos estamos nele, por quê? – Disse Ashley
─ Eu estou no quarto: 308. – Disse ele, ─ E amanhã se você, não aparecer irie buscá-la em seu quarto. – Ele completou.
─ Que horas devo aparecer?
─ 9 horas da manhã. Na frente do hotel.
─ Está bem. Preciso ir. – Disse ela.
Ela virou-se e estava saindo, Willian a olhava de um jeito lindo, até que se lembrou de que estava com o caderno dela, foi quando, ele a chamou novamente.
─ Ei! O seu caderno.
─ Claro. ─ Disse ela, ao se virar e ver o caderno nas mãos dele. ─ Obrigada. E o seu casaco? – Ela perguntou ao pegar o caderno da mão dele.
─ Pode ficar com ele. – Disse ele, olhando de um jeito lindo para ela ─ Posso beija-la, no rosto?
Ashley hesitou por um instante, nunca nenhum garoto havia perguntou antes, ela achou a atitude dele incrível, ele estava começando a ganhar sua admiração e seu respeito.
Então de repente, Ashley se deu conta, de que queria beija-lo, como forma de agradecimento, mas não era só isso, pois bem no fundo de sua alma, um sentimento batia muito forte. O que era? Não sei, mas sei que era o começo da eternidade para os dois.
─ Pode. ─ Respondeu ela, olhando no fundo dos olhos dele, ela estava encantada com o Willian.
Willian aproximou-se dela e a beijou no rosto, em seguida ela o beijou, embora tenha sido no rosto, Ashley sentiu a mesma emoção que sentiria, se o beijo tivesse sido na boca. Para ela não importava aonde tinha sido o beijo, o que importava era que ele havia beijado ela, e que havia sido um beijo inesquecível.
─ Boa noite! – Disse ele
─ Boa noite! – Ela respondeu
Após eles terem se despedido, Ashley foi em direção ao hotel, Willian ficou no mesmo lugar, vendo ela se distanciar, ele lambeu os lábios, respirou e com um jeito lindo gritou:
─ Ashley, não se esqueça de amanhã!
Ashley se virou, mas não respondeu nada, apenas sorriu, mas um sorriso pode significar muitas coisas…
Ashley entrou no hotel, subiu as escadas, até seu quarto e entrou. Estava com um sorriso enorme no rosto, e um olhar de apaixonada…
─ Viu passarinho verde? – Pergunta Tyler
─ Deixe-me em paz, Tyler.
─ Onde você estava? – Tyler pergunta novamente
− Na praia.
─ O que aconteceu com você? – Pergunta Danny, seu outro irmão.
─ Conheci um garoto incrível. – Responde ela, ─ O nome dele é Willian e…
─ Por que com ele você fala? O que você tem contra mim? – Pergunta Tyler
─ Nada, Tyler. Vamos dormir! ─ Disse Ashley, indo para sua cama.
Tyler e Danny foram dormir, mas ela não conseguia parar de pensar no Willian. A cada minuto, o que ela estava sentindo por ele aumentava, ela não conseguia controlar esse sentimento, era mais forte do que ela, só o viu uma vez, e foi o suficiente para um amor desabrochar. Agora, que ela não estava com ele, sentia algo estranho, que nunca sentira antes, por garoto nenhum. Ela rezava, para que o dia amanhecesse logo, para poder vê-lo novamente.